Contemporary Art

Trabalho de Campo

Corte Metafísico

Edição de Vocabulário

Uma das primeiras práticas que se visualizou de forma explícita em minha trajetória, foi a de aplicar um referencial pessoal sobre elementos encontrados pelo meu caminho. Esta dinâmica resume bastante bem a minha práxis em geral, já que para elaborar uma estrutura, me apoio em circunstâncias específicas que, sem um aviso prévio, apareceram-me. Em suma, me aproprio destes encontros para amalgamar questões que me interessam. Esta dinâmica evidencia uma dimensão precária que é transversal à minha produção artística, e que se refere a um discurso que se realiza no presente, não considerando a possibilidade de que se realizem correções ou ensaios prévios. Esta aparente desordem expõe as verdadeiras camadas construtivas, dando importância ao processo contínuo e não ao resultado final.

Assim, o acaso é um elemento que se considera importante. Justamente, ao esquema ordenado das concreções no espaço-tempo, pertencem pontos surgidos do cruzamento de duas instâncias que a priori não tem relação. Entendo que estes pontos são o que chamamos de “sorte”, aparecimentos inesperados no contexto, que geram mudanças nas soluções anteriormente concebidas. É certo que este acaso inscreve um vértice dadaísta sem projetar um ideário surreal, mas sim uma dimensão carente de nexo causal e sentido, em nossa existência. Mais que objetivar e “objetualizar” uma trajetória eficiente, interessa-me escrutinizar a realização do processo criativo, o desenvolvimento concreto das formas na realidade -entendida em seu mais amplio sentido.

Estas formas se instauram no mundo como entes ativos; funcionam, dialogam, participam da construção mundana. Isto implica o embate entre ideias e realidade, entre vontades e possibilidades, tornando o meu trabalho mais uma amostra de vida em desenvolvimento, que uma proposta de discurso exemplar. Se considerarmos este segundo caso, o discurso a exemplificar-se seria aquele que se enfoca no devir do ser, buscando despir-se de afetações e alienações, sem maquiagem, sem finalidade e sentido, um discurso niilista.

Pode parecer estranho que este discurso de expiração fatalista, se regule por ações dirigidas a mudanças no cenário econômico vigente. A tentativa de observar-se sem filtros, reside no entendimento de que esta acuidade possibilita uma compreensão do funcionamento sistêmico em que nos compreendemos. Por mais que sejamos indivíduos com diferenças em inúmeras ordens, estamos inseridos em um mesmo esquema organizacional, por meio do qual entendo que nosso modo de pensar – e quando digo “modo” não incito ideias e pontos de vista, mas sim o método pelo qual pensamos; não o conteúdo, se não a forma em que elaboramos sintagmas e auferimos escolhas concretas -, não pode ser assim tão díspar.

Obviamente tenho posicionamentos políticos definidos, mas se entendem somente como uma possibilidade dentre as que existem, como um contexto; sou só uma gente com pretexto. A intenção de compreender como a nossa mentalidade atual funciona -perspectiva oferecida diretamente por Foucault-, procurando considerar a totalidade dos credos existentes, parafrasea a consciência de Deleuze, e se justifica pela vontade de elaborar e fundar mecanismos efetivos de transformação sistêmica, em nossas estruturas ordinárias.

Anúncios

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair /  Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair /  Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair /  Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair /  Alterar )

Conectando a %s